Rolem os vinhos, ou melhor, os barris!

A História dos Vinhos e os Barris de Carvalho.

Talvez você já tenha passado por uma adega ou loja de vinhos e viu um barril de madeira, normalmente usado como decoração.
O que nem todo mundo sabe é que os Barris ou Barricas de Carvalho são usados a centenas de anos no mundo todo para armazenar e, inicialmente, transportar o vinho.
Como as viagens marítimas eram comumente longas era necessário um recipiente que aguentasse os solavancos do mar e que fossem fáceis de transportar, ou melhor, rolar. Daí surgiram os barris de vinho.
Antes de chegar ao Carvalho como matéria prima principal foram testados, ao longo de anos, vários tipos de madeiras, como: Cerejeira e mogno dentre outras. O Carvalho foi a que apresentou melhor resistência, leveza, maleabilidade e, principalmente, transferiu um aroma e sabor agradável para o vinho.
Muitos consideram hoje em dia o estágio ou envelhecimento em Barris de Carvalho como uma “garantia” de vinho de qualidade. Será então que todos os vinhos passam ou devem passar por barricas? A resposta é NÃO, até em virtude do preço, visto que um barril de carvalho pode custar entre 4 e 8 mil reais cada.
Outro ponto importante na escolha de usar ou não o carvalho é a opinião ou, como muitos chamam, a proposta do enólogo para o vinho, afinal sem o barril de carvalho o vinho tende a ter um sabor mais fresco, jovem e frutado, o que pode ser muito agradável para a grande maioria dos consumidores.
Com o carvalho o vinho pode ganhar mais complexidade, madurez e aromas diferentes como: Baunilha, manteiga, tostado e até coco.
Normalmente os barris de Carvalho são usados nos vinhos tintos, especialmente naqueles com potencial de envelhecimento. Alguns países inclusive tem leis bem específicas quanto a sua utilização, este é o caso da Espanha.
Especialmente na Região da Rioja, o vinho segue uma norma, ou lei, que determina quanto tempo ele deve repousar antes de ser vendido. Com base nessa regra temos a seguinte classificação:
  • Vinho Crianza – Passa no mínimo por 6 meses em barris e mais 1 ano e meio em garrafa antes de ser vendido.
  • Vinho Reserva – No mínimo 1 ano em barris e mais 2 anos em garrafa antes da venda.
  • Vinho Gran Reserva – Que fica no mínimo 2 anos em barris e cinco anos em garrafa, ou seja, cinco anos antes de ir para o mercado.
Esta regulamentação que exige que o vinho fique de 2 a 5 anos armazenado antes de ser vendido gera um custo muito alto para as vinícolas, por isso, sempre que vemos um vinho dessa classificação sabemos que é um vinho de qualidade e preço superior.
Com base nessa fama nossos vizinhos do mercosul, especialmente o Chile e a Argentina adotaram uma prática de marketing que é colocar no rótulo o título “Reservado” para criar na mente dos consumidores uma ideia de um vinho especial e diferenciado, porém o que vemos na prática são vinhos simples e muitas vezes desprovidos de qualidades.
Cuidado para não confundir os vinhos Espanhóis classificados como vinhos Reserva ou Gran Reserva com os vinhos básicos chamados de “Reservados” e assim levar gato por lebre.
Enoabraços,
Eduardo Vianna